Pular para o conteúdo
Rua antiga de pedra numa cidade europeia ao amanhecer, com uma igreja de torre ao fundo

A Europa precisa de missionários

Do pedido do homem macedônio em Atos 16 ao continente pós-cristão de hoje: por que a igreja brasileira deve olhar para a Europa.

Na segunda viagem missionária, por volta do ano 50, o apóstolo Paulo foi impedido pelo Espírito Santo de pregar na Ásia e de entrar na Bitínia (At 16.6-7). Em Trôade, na costa da Ásia Menor, recebeu durante a noite uma visão: um homem da Macedônia rogava-lhe, dizendo: "Passa à Macedônia e ajuda-nos" (At 16.9). Esse foi o primeiro apelo para que o evangelho atravessasse o mar Egeu e chegasse à Europa.

1. O pedido da Macedônia

A palavra "ajudar" (gr. boētheō), no original grego, vem de boē (grito, clamor) e theō (correr), e tem o sentido de correr em socorro de quem clama. O homem da Macedônia não pedia uma visita, pedia socorro. Lucas, que se inclui na narrativa, diz que procuraram partir "logo", concluindo que Deus os chamava para anunciar o evangelho ali (At 16.10). Dessa obediência nasceram as igrejas de Filipos, Tessalônica e Bereia, e a Europa ouviu o evangelho.

2. De celeiro de missões a campo missionário

Durante séculos a Europa foi o centro do cristianismo. Peter Kuzmic diz que "houve um tempo em que 'Europa' e 'Cristandade' eram termos quase sinônimos". As missões modernas começaram nesse continente, e dali saíram William Carey para a Índia, Hudson Taylor para a China e David Livingstone para a África. No entanto, como mostro no livro Europa Pós-Cristã, em apenas duas gerações depois desses homens a Inglaterra se tornou um árduo campo missionário.

Segundo o Pew Research Center, a população cristã da Europa deve cair de 553 milhões em 2010 para 454 milhões em 2050, enquanto o número dos sem filiação religiosa deve crescer de 140 para 162 milhões. São projeções, mas a direção é clara. Entre os jovens a mudança já aparece: de acordo com o relatório Europe's Young Adults and Religion (Stephen Bullivant, 2018), citado por José Eustáquio Diniz Alves, 55% dos espanhóis de 16 a 29 anos se declaravam sem religião. Lindsay Brown, ex-secretário geral da IFES, afirma que "a Europa é uma das regiões mais difíceis do mundo para dar testemunho de Cristo. A combinação do monstro de três cabeças do secularismo, pluralismo e materialismo dificulta o testemunho cristão em todo o continente". Os números país a país, com fontes, estão na página do Didáskō Europa, campo missionário: dados e desafios.

3. O que a igreja brasileira precisa enxergar

Muitos crentes e igrejas só consideram campo missionário o lugar onde há pobreza e miséria. No entanto, a situação econômica de uma pessoa nunca determinou quem deveria ouvir o evangelho. Timóteo Carriker diz que "a missão cristã primitiva envolveu tanto os pobres e desprezados quanto os ricos e poderosos, bem como muitas faixas no meio". Ronaldo Lidório, que conhece bem a África e os indígenas da Amazônia, afirma que "na África e na Amazônia, pessoas sentam-se ao seu redor para ouvir, mas não na Europa. Ali o evangelho é ridicularizado, como também o evangelizador". Alguns pensam que os imigrantes cristãos resolvem o problema. Eles têm colaborado muito com as igrejas europeias, mas, como observa Anne-Marie Kool, muitas igrejas de imigrantes atendem às suas próprias comunidades étnicas, enquanto as igrejas históricas lutam para encaixá-las em suas estruturas. Por isso, a Europa continua precisando de missionários e de líderes locais bem formados.

Diante dessa realidade, precisamos fazer ao menos quatro coisas. A primeira é orar com informação, sabendo quais países e cidades estão sendo alcançados e quais não estão. A segunda é enviar e sustentar, como explica o artigo sobre como sustentar um missionário. A terceira é trabalhar junto com a igreja local de cada país, pois o evangelho se fortalece quando a obra não depende apenas de quem veio de fora, e o artigo sobre igreja local e missões trata desse ponto. A quarta é discernir se Deus está chamando alguém da nossa própria igreja, e o texto sobre chamado missionário ajuda nesse passo.

4. Os projetos da SEMIPA na Europa

A SEMIPA apoia três frentes no continente, todas em cooperação com a igreja local. O Projeto Didasko Portugal, do qual sou missionário, serve às igrejas portuguesas por meio do ensino da Palavra, do discipulado e da formação de líderes, com o objetivo de plantar novas congregações e revitalizar as já existentes, em parceria com a Igreja Baptista de Cascais. O Projeto Seara Espanha atua em Madri, capital europeia com pouca presença evangélica, onde Carlos Escobar e Grace Ong evangelizam, discipulam e conduzem grupos nos lares em Aljavir. O Projeto Seara Albaneses serve famílias em comunidades carentes da Albânia, unindo ação social e proclamação do evangelho, com os missionários Eduardo e Jane.

A necessidade de cada projeto está descrita na página de projetos missionários, e a página como ajudar explica como orar, contribuir ou apadrinhar um campo. Se a sua igreja ainda não olhou para a Europa, este é um bom momento para começar. Que Deus nos ajude a atender hoje o pedido que Paulo ouviu em Trôade.

Referências

  1. Christian mission in Europe. Themelios, The Gospel Coalition (artigo que cita Peter Kuzmic).
  2. WORMALD, B. Europe. Pew Research Center, 2015.
  3. ALVES, José Eustáquio Diniz. Rumo a uma Europa pós-religiosa? Outras Palavras, citando BULLIVANT, Stephen. Europe's Young Adults and Religion, 2018.
  4. BREUEL, S. Is Europe Post-Christian or Pre-Revival? Christianity Today, dez. 2022 (cita Lindsay Brown).
  5. CARRIKER, Timóteo. O Propósito de Deus & A Nossa Vocação. Viçosa, MG: Ultimato, 2021, p. 195.
  6. LIDÓRIO, Ronaldo. Os essenciais da missão. Brasília: Instituto Antropos, 2011, p. 13.
  7. KOOL, Anne-Marie. "Revisiting Mission in, to and from Europe through Contemporary Image Formation". In The State of Missiology Today. Downers Grove, IL: IVP Academic, 2016, pp. 236-237.

Quer apoiar missionários no campo?

Ore, contribua com uma oferta mensal ou apadrinhe um projeto apoiado pela SEMIPA, com prestação de contas e cartas do campo.